Greve dos bancários continua pelo segundo dia consecutivo
A greve dos bancários, decidida na quarta-feira à noite em assembleia do Sindicato dos Bancários da Bahia, teve adesão principalmente dos bancos públicos. A entidade baiana seguiu o comando nacional, que decidiu pela greve na última sexta-feira, após falharem as negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A categoria pede aumento de salário e outras reivindicações. Sem acordo, decidiu partir para a paralisação das atividades.
Segundo o sindicato, em Salvador, perto de 100% das agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal aderiram ao movimento. Os dois bancos são controlados pelo governo federal. Diferentemente dos bancos do governo, a maioria das agências das instituições privadas continuava funcionando normalmente, na quinta-feira (24).
No bairro da Graça, na Avenida Euclides da Cunha, apenas a agência do Banco do Brasil tinha as portas fechadas. O mesmo se deu na Barra, onde, na Rua Marques de Leão, os bancos privados operavam normalmente, mas a agência da Caixa estava inoperante. Uma exceção ocorreu no bairro do Comércio, onde a maioria dos bancos se encontrava com as portas fechadas, com cartazes vermelhos, em que se lia a palavra “greve” em branco, afixados nas portas. Muitas das agências, especialmente as dos bancos privados, tinham membros do sindicato em frente à entrada. Algumas tinham impedido até o acesso aos caixas eletrônicos.
De acordo com a entidade, a participação no movimento foi maior no Comércio, na Avenida Sete e na Piedade. “Nesta sexta-feira (25) queremos a adesão das agências da Pituba e da região do Iguatemi. Mas é difícil fechar todos os bancos privados, pois a pressão da direção sobre os funcionários é grande”, afirma Jerônimo da Silva Jr., 40 anos, diretor do sindicato e funcionário do Itaú.
O bancário participava, junto com outros membros do sindicato, de um ato em frente a uma agência do Bradesco na Avenida Estados Unidos, no Comércio. Com um microfone acoplado a caixas de som na caçamba de uma caminhonete, um dos sindicalistas pedia a compreensão da população e explicava as principais reivindicações da categoria.
Os clientes, contudo, não estavam de todo desamparados. Apenas a alguns passos adiante, na mesma avenida, outra agência do mesmo Bradesco, maior inclusive, funcionava normalmente. Enquanto os bancários e banqueiros negociam, sofrem os clientes.“Acho uma falta de respeito. Não pode paralisar tudo, tem que haver um efetivo mínimo. Na greve do ano passado, tive um cheque devolvido e fui obrigado a fazer um DOC para cobrir, pagando R$ 14”, desabafa o empresário José Alan Barbosa de Freitas, 37 anos, cliente da agência da Caixa na Rua Marques de Leão. Joselito Oliveira Fraga, 41 anos, motoboy, discorda: “Acho que todo mundo deve lutar pelos seus direitos”.
Para quem precisa fazer depósitos nos bancos públicos, as possibilidades são o uso dos caixas eletrônicos e dos serviços bancários nas casas lotéricas. A Fenaban avisa, por exemplo, que apenas 29% dos depósitos bancários são feitos nos caixas das agências. O restante se dá em caixas eletrônicos ou por transferências bancárias.
A entidade afirma ainda que para uma série de outros serviços, como pagamentos, há outros canais de atendimento, como internet ou telefone, que continuam funcionando mesmo com a greve. A compensação e transações de cheques e a reposição de cédulas em caixas eletrônicos, a princípio, seguem operando normalmente.
Paralisação chega a 18 estados Além da Bahia, bancários de outros 17 estados, além do Distrito Federal, aderiram à paralisação nacional. No país, a categoria reúne 420 mil funcionários representados por 134 sindicatos ligados à Contraf- CUT.
Em São Paulo, estado que concentra o maior número de agências bancárias, além das sedes dos principais bancos privados, cerca de 29 mil bancários aderiram à greve nas cidades de São Paulo e Osasco.
De acordo com o sindicato, além de agências, foram fechados prédios administrativos do Unibanco, Nossa Caixa, Banco do Brasil e Bradesco. JánoRio, estado com a segunda maior economia do país, aproximadamente 40% da categoria, ou cerca de 9,3 mil pessoas, paralisaram as atividades.
No Rio Grande do Sul, a adesão atingiu entre 60% e 70%dos funcionários da Caixa Econômica Federal. Em Minas Gerais a participação no movimento chegou a 90% dos funcionários da Caixa e do Banco do Brasil. No Paraná, a capital Curitiba teve fechadas quase a totalidade das agência no centro.
O que os bancários querem 10% - de reajuste nos salários. Os banqueiros oferecem 4,5%, menos da metade
PLR - participação nos lucros e resultados de 3 salários mais R$ 3.860. A Fenaban oferece 1,5 salário reajustado, limitado a R$10 mil e a 4% do lucro líquido de 2009
Pisos - salariais mais altos, manutenção dos empregos, mais contratações emelhores condições de trabalho.
Fonte: Correio da Bahia
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