
Triplicam os casos de conjuntivite na capital baiana
Com a chegada da estação mais fria do ano, a ocorrência de conjuntivite tem triplicado em Salvador. Os médicos informam que as salas de esperas das clínicas de oftalmologia já refletem a realidade.
Diariamente, são dezenas de pessoas que se dirigem às diversas unidades de saúde com queixas de ardência, vermelhidão, lacrimejamento e secreções nos olhos. Os sintomas da doença - que tem sido mais recorrente na forma viral - duram, em média, oito dias.
De acordo com a coordenadora do setor de oftalmologia das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), Iracema Moreira, o número de consultas de pacientes com os sintomas cresceu bastante nos últimos dias, levando a unidade a registrar uma demanda três vezes maior de pacientes com o quadro da doença.
“Atendemos cerca de dez pacientes por dia, o que é um número muito alto”, informou a médica, citando que, entre os casos há, inclusive, funcionários da própria instituição de saúde com a doença.
Embora a receita de prevenção pareça simples (uma combinação de evitar contato com o paciente infectado com bons hábitos de higiene), na prática, não é tão fácil assim ficar imune à infecção da membrana que reveste a parte da frente do globo ocular.
“A doença é contagiosa e uma pessoa acaba passando para outra. Como estamos no período das chuvas, quando há uma maior concentração de pessoas no mesmo local, a contaminação é ainda mais rápida”, informa a médica, acrescentando ainda que o vírus pode permanecer incubado de quatro a cinco dias, que é justamente a fase onde o risco de transmissão é maior.
De acordo com especialistas, a conjuntivite vem acometendo todos os sexos e faixas etárias, inclusive as crianças, que não costumam ter os mesmos hábitos de higiene dos adultos e, comumente, levam as mãos sujas aos olhos.
“É preciso ficar atento às crianças. Elas estão mais expostas e, muitas vezes, não é possível ter o devido controle”, alerta a presidente da Sociedade Baiana de Oftalmologia, Cláudia Galvão.
Mesmo sabendo dos riscos, as pessoas acabam escorregando nos cuidados, contribuindo assim para a transmissão. No caso do servidor público Vandilson Filho, 27 anos, a doença acometeu primeiro a cunhada, que passou para a sogra. Em seguida, foi a vez dele contrair a doença. Mas o ciclo não parou por aí e fez outras vítimas na família: seus dois filhos.
Sintomas“Primeiro, senti o olho coçando, parecia que tinha areia. Depois, começou a sair secreção e a ficar inchado”, conta o servidor, que conviveu com os sintomas da doença ocular por quase duas semanas e, nesse intervalo, teve que se ausentar do trabalho por um período de dez dias.
O simples fato de ter que se manter recluso para evitar contaminar as demais pessoas já era um grande castigo. Mas Vandilson teve que conviver com outras agruras.
“Acordava com os olhos grudados, para abrir tinha que lavar com soro e também tive que evitar a claridade. Ficava com os olhos vendados e também usava óculos escuros”, conta.
Já na casa da nutricionista Eliaci Goes Souza, 38 anos, a transmissão ocorreu através do pequeno Jan Felipe Goes Souza, 4 anos. “A professora dele estava com conjuntivite. Jan começou a apresentar os sintomas em uma sexta-feira e, no dia seguinte, já havia contagiado a mim e ao meu marido”, contou a nutricionista que, mesmo sabendo dos riscos, não abriu mão de dormir com o filhote e o marido, Jona Felipe de Souza, 48 anos.
A orientação da presidente da Sociedade Baiana de Oftalmologia é que, além da prevenção, o cuidado com a higiene dos olhos seja adotado não só como forma de prevenção pelos que não contraíram a doença, como também pelos que estão infectados. Assim, evita-se também o contágio da forma bacteriana.
Tratamento individual Quando alguém tem uma dor de cabeça, a coisa mais natural do mundo é recorrer a um medicamento de uso compartilhado da casa. Porém quando se trata de conjuntivite, esse é o maior equívoco que alguém pode cometer.
De acordo com a oftalmologista Cláudia Galvão, tão logo apresentem os primeiros sintomas, o paciente deve procurar um médico porque o o tratamento deve ser individualizado e personalizado.
Ou seja, nem sempre o que funciona comum a pessoa vai ter o mesmo efeito em outra. Na verdade, o tratamento sem orientação pode até agravar o quadro da infecção, aumentando os desconfortos.
“O uso de colírio inadequado pode contribuir para que o micro-organismo crie resistência. Se não tratada adequadamente, a conjuntivite pode evoluir para uma lesão da córnea, levando o paciente a perder até o olho”, alerta o oftalmologista Vespasiano Santos.
No caso da conjuntivite viral, não há medicação para o tratamento, mas sim, para os seus sintomas. Compressas de soro, por exemplo, ajudama diminuir a dor e acalmar os olhos.
CUIDADOS E PREVENÇÃO - Proximidade: Fuja do contato com quem está com conjuntivite;
- Contaminação: Não coce o olho com as mãos sujas, evitando a contaminação por germes ou bactérias;
- Objetos: Evite contato com toalhas, travesseiros e outros objetos usados por uma pessoa infectada;
- Soro: Não coloque soro diretamente nos olhos;
- Mãos: Lave as mãos frequentemente, evitando esfregar os olhos com as mãos não lavadas.
Fonte: Correio da Bahia