
Sob a mira cerrada da coligação encabeçada pelo governador Jaques Wagner (PT), que teme desesperadamente perder para ele uma das vagas de senador em disputa nestas eleições na Bahia, o senador César Borges (PR) ganhou há cerca de duas semanas um apoio que poderá assegurar a cada vez mais árdua manutenção de sua posição como até agora o candidato favorito na corrida ao Senado.
Em reunião com todo o seu staff político, o prefeito João Henrique (PMDB) deu ordem unida para que os auxiliares arregacem as mangas e prestem ao senador a ajuda que considerarem necessária à sua reeleição. O engajamento do prefeito na campanha pode ser também o responsável pela frustração da expectativa governista de que Borges já pudesse ter perdido a liderança nas pesquisas de intenção de voto.
O repentino envolvimento de João Henrique no esforço que o republicano faz para se reeleger seria motivado por dois fatores. O primeiro deles é o desprezo público que o chefe do governo municipal nutriria pelo deputado federal Walter Pinheiro (PT), candidato a senador na chapa de Wagner ao lado da socialista Lídice da Mata.
O prefeito derrotou Pinheiro na última campanha à sucessão municipal, depois de um forte desentendimento com o petista e do rompimento em 2008 com o PT, que chegou a integrar sua administração. O segundo motivo é uma espécie de gratidão de João Henrique a Borges, que atuou como conciliador em sua primeira grande crise com o candidato do PMDB a governador, Geddel Vieira Lima, ocorrida também há cerca de duas semanas, em plena campanha.
“É uma injustiça a fama de ingrato de João Henrique. O prefeito sabe reconhecer aqueles que o ajudam”, diz um vereador ligado a ele. Outro ponto no qual César Borges tem se segurado para não perder o favoritismo a menos de um mês da eleição, essencial à sua recondução ao Senado, é o deputado federal ACM Neto (DEM).
O democrata estaria buscando emprestar parte de seu prestígio político na capital baiana ao antigo correligionário, apesar de seu partido ter um outro candidato muito próximo dele, José Carlos Aleluia (DEM), de quem seu pai, o senador ACM Jr. (DEM) é, inclusive, suplente.
A situação de Borges como até agora o candidato mais forte das oposições ao Senado tornou ele uma espécie de depositário de todas as atenções e cuidados oposicionistas, diz um amigo muito próximo do senador, avaliando que ele trava, neste momento, uma luta desigual contra a máquina governista, toda voltada para a eleição da dupla de aliados de Wagner.
“César Borges virou a esperança das oposições de evitarem uma nova hegemonia na política baiana. Até quem não estava mobilizado passou a encarar sua vitória como forma de evitar uma hipertrofia perigosa das forças do governo nestas eleições”, diz um deputado ligado ao senador. Segundo ele, por tudo que tem enfrentado, Borges estaria sendo chamado entre amigos de “herói da resistência”.( Politica livre)