quinta-feira, 9 de julho de 2009



Wagner deixa discurso moderado e eleva o tom contra 'ingratos'

governador Jaques Wagner deixou de lado o discurso da moderação e elevou o tom na quarta-feira (8), durante a solenidade de entrega de 63 ambulâncias para municípios do interior, realizada no pátio da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab).
Jaques Wagner deixa de lado discurso moderado e eleva o tom contra 'ingratos'(Foto: Alberto Coutinho / Agecom)
Sem citar nomes, Wagner ameaçou os que considera ingratos, criticou aliados políticos e disse haver indícios de negócios escusos em gestões passadas. Wagner chegou a afirmar que era “valente”, disse que não confundissem “educação com covardia” e garantiu que responderia à altura aos “mal-agradecidos” na hora certa.
O governador não deixou claro a quem se dirigiam as farpas, mas os últimos movimentos políticos para as eleições de 2010 indicam que o PMDB foi o alvo do discurso inflamado.
Wagner garantiu que responderia à altura aos 'mal-agradecidos' na hora certa(Foto: Paulo M. Azevedo)
“O PMDB não é de mandar recado e não vou comentar (o discurso) porque o governador não citou o partido. O dia em que ele nos citar, vamos responder”, afirmou o presidente do PMDB baiano, Lúcio Vieira Lima, irmão do ministro Geddel, principal líder do partido na Bahia.
Já o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, que estava presente ao evento, disse que as críticas foram direcionadas aos oposicionistas e “àqueles que tentam trazer ambiguidades à sucessão para 2010 e aos segmentos que estão divididos dentro da base do governo”.
No entanto, Jonas Paulo se esquivou quando questionado se o PMDB estava na linha de disparo da fala de Jaques Wagner. Mesmo sem citar os prefeitos do interior, o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Roberto Maia (PMDB), divulgou nota repudiando o discurso do governador.
Para Maia, os administradores municipais foram desrespeitados ao serem chamados por Wagner de “ birutas de aeroporto”. Contudo, a assessoria do governador afirmou que a alusão foi dirigida aos integrantes da base que não sabem qual direção política tomar.
Maia, que é prefeito de Bom Jesus da Lapa e muito ligado ao ministro Geddel, disse ainda na nota que Wagner desconhece a forma como se dá o relacionamento institucional entre prefeituras e o governo do estado. Segundo ele, muitos dos administradores municipais foram convidados para a cerimônia e ficaram constrangidos pelo discurso.
AcusaçõesO momento em que Wagner mais se exaltou ocorreu quando ele justificava as dificuldades de sua gestão, que no primeiro semestre de 2009 perdeu quase meio bilhão de reais em arrecadação tributária. “Em dois anos e meio, seria impossível resolver tantas porcarias, tantos trambiques nas contratações de serviços de limpeza, segurança e nas áreas da saúde e educação”, disse o governador, criticando a gestão anterior - do ex-governador Paulo Souto - mas, novamente, sem citar os nomes dos acusados.
Jaques Wagner disparou também contra os que consideram desastrosa sua gestão na área de segurança pública. Disse que as críticas em relação ao aumento da violência no estado são mentiras. “2010 vai chegar”, afirmou o governador, em tom de ameaça.
Paulo Souto vê ‘descontrole’e diz que governo é um desastre O ex-governador Paulo Souto, presidente estadual do DEM, classificou, através de nota à imprensa, como “descontrole” as críticas feitas por Jaques Wagner às gestões passadas. “Infelizmente, o descontrole administrativo e financeiro do governo está contagiando o comportamento do governador. Quem ocupa um cargo como esse tem que aceitar as críticas com serenidade e lucidez”, afirmou Souto, através da nota.
Paulo Souto classificou como 'descontrole' às críticas do governador à gestão passada(Foto: Robson Mendes)
Durante o evento na Secretraria de Saúde, o governador elevou o tom nas críticas aos oposicionistas, afirmando que a Bahia cansou de “palhaçadas, mentiras e farras”.
Ao rebater às críticas de seu sucessor no governo do estado, Paulo Souto declarou que não será com ofensas e bravatas que o governador conseguirá disfarçar o “grande desastre que tem sido esses 30 meses à frente do governo da Bahia”.
O senador César Borges (PR), também ex-governador do estado, considerou “descontrole verbal” os ataques feitos por Jaques Wagner. “Todos nós pensávamos que o debate político na Bahia estivesse num nível democrático e republicano. O que não é mais possível é tentar interditar o debate para esconder que o governo não vai bem, só porque o governador tem dificuldade com críticas”, afirmou o senador através de nota à imprensa.
Fonte: Correio da Bahia

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